27 maio 2014

logo se vê

Começo a desconfiar que sou uma nulidade a organizar coisas, e a culpa é do estribilho "logo se vê".
O pintor só tem tempo de pintar a casa justamente na altura em que a empresa de mudanças a está a esvaziar, e - numa de "logo se vê" - combino com ele que a empresa vai esvaziando os quartos um a um, e ele vai atrás a pintá-los, vamos indo e vamos vendo, com certeza que no fim tudo corre bem. O pintor diz que sim, mas quando entra na nossa casa cheia de tralha e carregadores, sugere-me que ligue ao senhorio e pedir que adie alguns dias a entrega da casa (como é que eu não me lembrei logo disso?!). O senhorio também deve ser do tipo logo se vê, porque não tem planos fixos para a casa no dia 1 de Junho, e autorizou.
Na casa nova, os homens entram com caixas e móveis, e eu estou à porta a dizer para onde vai tudo aquilo, mas infelizmente desta vez não tive tempo de sonhar a disposição dos móveis na casa nova, de modo que depois da cena gaga em que dizia "o móvel chinês? ahem, fica no rés-do-chão, ah, espere, talvez no segundo andar", mando tudo para um quarto que por enquanto não é preciso. Depois vai ser bonito, transportar tudo para o sítio certo. Mas, lá está: logo se vê.
Pior ainda: para montar as estantes é preciso espaço (e ainda tenho de arranjar um homem que as corte, porque têm em altura 1 cm mais do que deviam). Se enchemos primeiro as divisões com as caixas de livros, não há como montar as estantes depois. De modo que os livros estão a ficar todos naquele tal quarto do andar de baixo, e eu vou passar um mês a descer as escadas e a subi-las de novo carregando centenas de livros. A vantagem é que no fim desse mês vou estar com um maravilhoso corpo de bikini.
Começo a desconfiar que descobri o segredo das, digamos, mocinhas que são um bocadinho lentas de entendimento e têm um corpo escultural, que vão para os concursos das misses. Também devem ser do tipo logo se vê, e depois coitadas lá tem de carregar os livros todos pelas escadas acima.

Ontem na casa nova:



Hoje na casa velha:



Daqui a nada desligam-nos os computadores, e estou aqui desesperada à espera do desenho final da cozinha que vai ser encomendada em Portugal. Se não vier agora, sei lá quando vou ter internet para ver e decidir e encomendar finalmente. Em todo o caso: vou andar pelo menos três meses a cozinhar na cozinhinhinha do Matthias, e a comer três andares acima. Se me preocupo? Ora essa! Logo se vê. 
Praias de Portugal, este verão é que ides ver o que é bom, hehehe.
PS: O Fox anda tristinho, tristinho. Passa o dia na casa dos vizinhos, que são amorosos, mas sente-se abandonado e não percebe nada do que está a acontecer à casa que até agora era o seu mundo. Já lhe expliquei que é para bem dele, e que quando tivermos o jardim com relva e cercas (para ele não ir para os jardins dos vizinhos, que ainda nos vai arranjar inimigos naquela rua) vai ver que valeu a pena todo este sofrimento, mas ele olha para mim de orelha murcha e choraminga um bocadinho. 


4 comentários:

Gi disse...

Ai Helena, Helena...
Quem me dera que em Portugal os inquilinos mandassem pintar as casas quando saem.
O Fox já tem o seu cantinho na casa nova, ou "logo se vê"?
As praias em Portugal ficam no sul, lembras-te? ;-)

Paulo disse...

Acho muito bem o Matthias começar já a testar o som do piano na casa nova.

gralha disse...

Não posso deixar passar a ironia de andarmos, em Portugal, a encomendar cozinhas alemãs e a Helena mandar vir a sua da terra :)

Helena disse...

Sou uma oportunista: exploro mäo-de-obra barata. Ontem estivemos na fábrica a ver a cozinha. Algo me diz que se fosse feita na Alemanha custava o triplo.
(Está linda!)